Desde a eternidade , esteve presente na “mente” de Deus a ideia da criação, o tempo da vinda do Messias.
Mas Deus não teve uma ideia isolada, antes, pensou em tudo como uma grande obra de sinfonia. Ele queria que como uma corte houvesse quem o servisse. E todos nós estávamos incluídos nessa ideia, pois fomos amados por Ele desde a eternidade assim como falou a Jeremias “ Eu amo-te com eterno amor, e por isso a ti te estendi o meu favor.” 31.3.
O modelo da criação não foi outro senão o próprio Cristo, por isso Ele disse: faça-mos o homem a nossa imagem e semelhança, Gn 1.26. Tornando possível a nossa existência como filhos de Deus, por seu próprio sacrifício. E por termos sido criados para ser seus “súditos”, para servi-Lo e adora-Lo, é também a nossa causa final.
Em suma fomos criados em, por e para Jesus, “Col 1:16 porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele.”
Podemos então concluir que o chamado de Deus para nós deu-se desde a eternidade, 2 Tm 1:9 que nos salvou e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos dos séculos”. Ficando evidente que, desde a eternidade fomos chamados para servir como ”súditos” do Rei em seu reino. Essa é a chamada genérica de Deus a humanidade, mas dentro dessa chamada existem aqueles que são chamados para exercer funções específicas dentro do seu corpo (igreja). É uma missão que cada um temos em particular e não será dada a mais ninguém.
Temos no Novo Testamento exemplos dessa chamada, Jesus escolheu especificamente seus apóstolos. A Pedro, Tiago, André e João disse: “Vinde após mim e vos farei pescadores de almas” Mt 4.19; ao se encontrar com um publicano chamado Mateus disse: “Segue-me” Mt 9.9; Paulo quando o viu disse: “Que queres que eu faça?” At 9.6.
Assim como esses homens abandonaram tudo para seguir imediatamente o Mestre, nós também precisamos responder prontamente, com amor e alegria ao chamado.
Marcos, tão resumido em outras temas, para dar detalhes de um encontro que fala profundamente conosco até os dias de hoje. Um jovem se aproxima de Jesus, com a respiração ofegante, como alguém que busca desesperadamente algo especial. De certo ouvirá as pregações de Jesus sobre o reino de Deus e houvera sido impactado por elas. E buscando a salvação, por sentir que sozinho não poderia obter, busca naquele em que tinha a certeza possui-la.
A pergunta feita aponta como uma seta nesse sentido, Didon escreveu: “revelava uma natureza superior e uma alma sincera. As doutrinas dos fariseus, do sinédrio e das escolas rabínicas, baseadas em méritos próprios, já não satisfaziam sua consciência abalada pela mensagem do reino.”
Por isso ele correr até Jesus e ajoelhar-se e exclamar “BOM MESTRE”, uma qualificação alheia aos costumes da época. Lagrange comenta sobre isso: “Não se conhece exemplo de alguém tenha chamado assim um rabino” e acrescenta “ultrapassava os hábitos de cortesia daquele tempo”.
O tema da pergunta é algo para se pensar, pois um tema tão diferente daqueles que se ouve atualmente na maioria das igrejas. Naquela épocas as pessoas se preocupavam em ganhar o “reino dos céus”. E hoje?…
Filion comenta sobre a pressa do jovem: “Corria para não perder aquela ocasião de fazer ao Salvador uma pergunta que muito o preocupava” Duquesne elogia a atitude dizendo: É com esse fervor de espírito e esta rapidez de corpo, com esta presteza e esta alegria espiritual que se deve ir a Jesus”
Jesus lhe responde: “por que Me chamas bom? Só Deus é bom”. Esta resposta lhe causa espanto a primeira vista, mas logo se compreende onde Jesus queria chegar.
Jesus não visava repreendê-lo, mas chamar sua atenção para a realidade: só Deus é bom, portanto bondade absoluta é inerente em Deus. Efrém comenta: “ Jesus rejeitou esse titulo de “bom”, dado por um homem, para indicar que Ele tinha essa bondade adquirida do Pai, por natureza e geração, que não a tinha simplesmente de nome”.
Ao chamá-lo de “bom mestre”, o jovem rico mostrava ter visto principalmente o lado humano do Messias: sua inteligência, capacidade e sabedoria naturais. Jesus no entanto que ele o considere não só como homem, mas sim como Deus. Por isso a resposta: “ Por que me chamas bom?”.
Com essa pergunta Jesus o convida a dar um passo além da religião, dos dogmas e preceitos. Jesus o convida para olhar o Eterno encarnado. De fato ao chamá-lo bom, sem se dar conta, estava lhe atribuindo uma algo que na verdade ele tinha, porque Ele é Deus. Jesus então o convida para ter “consciência” daquilo que falou, para ver com clareza e compreensão, e assim, O Amá-lo mais ainda.
Procura mostrar ao jovem que ele precisava ter a noção inteira sobre quem Jesus de fato é, dizendo-lhe que esse título convém apenas a Deus, e leva-o a entender que deveria considerá-lo como o Filho de Deus aquele a quem ele chama de “bom”, e não somente um mestre simplesmente humano.
Mc10:21 E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Falta-te uma coisa: vai, e vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem e segue-me.
Jesus o olhou com amor, (agora sente e suporte minha loucura), e fez-lhe o mesmo convite que fez aos seus apóstolos: “Vêm e segue-me”. Jesus estava disposto a aceitar esse jovem em seu circulo mais intimo de amizade. Entres aqueles que participavam de momentos especiais de discipulado, ouviria não mais por parábolas, mas ouviria-O abertamente. A palavra “Vem” parece exprimir algo mais do que uma simples imitação do segmento material, mas sim um chamado para fazer parte da família, do grupo dos discípulos.
Contudo para aceitar esse apelo foi lhe pedido uma renuncia: “ Vai, vende tudo quanto tens e dá aos pobres, e terás um tesouro nos céus”. Agora estava em suas mãos atender ao chamado, dar uma resposta ao chamado, uma resposta alegre, cheia de entusiasmo, assim como os outros discípulos haviam feito.
“Ele entristeceu-se com essas palavras e se retirou abatido, porque tinha muitos bens”.
O mesmo jovem que chegará com sofreguidão, agora se retira silenciosamente. Porque preferiu manter os seus bens a seguir o Mestre e abandonou o “tesouro no céu”. Algo inédito pois nenhum dos evangelho narra uma recusa assim.
Não pensemos no entanto, que foi o apego as coisas e bens matérias que o impediram de aceitar o convite, não foi isso. O jovem praticava os mandamentos desde a infância, mas não os praticava com perfeição, pois havia negligenciado o mais importante deles: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda tua alma e de todas as tuas forças” Dt 6.5.
O grande problema desse jovem não era a avareza, mas sim o orgulho. Ao ser convidado a seguir o Senhor, deveria fazer com o Pedro, diante da pesca milagrosa, olhar para dentro de si e ver suas misérias, ao que o Senhor lhe ajudaria a vencê-las. E esse jovem poderia com certeza ter sido o “DÉCIMO TERCEIRO APOSTOLO”.
Olhando ao redor, para seus discípulos, usou um provérbio judeu para expressar algo extremamente difícil de acontecer, senão impossível: “ É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha que um rico entrar no reino dos céus”. Para mostrar a desordem criada pela paixão de se apegar o coração a terra, e torná-lo insensível as coisas do reino de Deus.
Vamos logo tratar do assunto que Jesus não está dizendo que os ricos não serão salvos, por serem ricos e os pobres serão, por serem pobres, não era sobre isso que Jesus falava. Jesus falava sim sobre o desvio no coração do homem que o leva depositar sua confiança em si mesmo e nos bens matérias, sobrepondo-os aos celestiais.
A finalidade ultima do homem está em Cristo. As riquezas, o dinheiro podem ser apenas meios, efémeros e dispensáveis, para se obter o fim. Portanto é legitimo acumular bens e deles usufruir, desde que eles sejam ganho de forma lícita e seu uso esteja debaixo da autoridade de Deus.
O problema não está nos bens que uma pessoa possui mas sim o destino que dá a eles, assim como aquele que não tem bem nenhum e não vive na graça de Cristo, estará destino ao juízo de Deus. Pode-se lutar para se ter riqueza, com o propósito de espalhar o reino de Deus pelos corações.
Voltemos ao assunto principal.
O jovem recebeu um chamado especial da parte do Senhor Jesus, segui-lo pelo caminho do Reino de Deus e espalha-lo pelo mundo. Mas a tendência desordenada do ser impulsiona para aquilo que é inferior.
A resposta que damos ao chamado determinará nosso futuro, qual resposta estamos dando ao chamado? O jovem deu uma resposta negativa e se afastou do Senhor, ao que se segue, ele foi invadido por uma enorme tristeza, remorso, dor, morte… Ao passo que aqueles que responderam positivamente e tudo deixaram para segui-lo, receberam a promessa de cem vezes mais ainda nessa vida e ainda no futuro a vida eterna.
Concluo com uma pergunta: “QUAL SERÁ SUA RESPOSTA AO CHAMADO?”. Muitos respondem negativamente por causa da religião que vivem, por causa do sistema religioso que ao longo dos anos foi impregnado no ser. Estão como o jovem rico, atados aos dogmas da religião, aos preceitos e doutrinas de homens. Tornaram-se insensíveis ao chamado, mas sentem que falta algo no ser. Atender o mestre é deixar a religião, o legalismo, o humanismo, o romanismo, o catolicismo evangélico e mergulhar no reino de Jesus.
O Rei está voltando! E somos chamados para ser discípulos e apóstolos desse tempo do fim. Anunciar que o reino de Deus é chegado a nós. Precisamos preparar os súditos para a chegada do seu Rei.
Eu respondo sim ao Senhor! Abandono a religião, a igreja enquanto instituição, as paredes feitas de tijolos, que não podem abrigar a gloria de Deus, abandono o Deus criado, para adorar o Deus criador. Para mim o que era ganho, reputei-o como perda. Para ganhar a Cristo e a excelência de seu poder.
Sim eu aceitei o chamado para ser o 13º discípulo, QUEM LER ENTENDA.
Amados espero que Deus fale com vocês, e que tomem a decisão correta.
Fiquem bem!
by Pr. Kleber Bernar – Portugal
http://kleberbernar.blogspot.com/2011/03/o-decimo-terceiro-discipulo.html